Passamos boa parte do ano passado pensando nas nossas férias, programadas para setembro. Tínhamos algumas opções de destino e, claro, expectativas pra lá de boas. Uma vez mais, porém, as peculiaridades de nossas profissões atrapalharam o planejamento da viagem. Resultado: férias canceladas! A boa notícia é que as coisas se resolveram e conseguimos remarcar o descanso para o meio de outubro. O problema é que soubemos disso com apenas duas semanas de antecedência! Ir pela primeira vez a Paris era uma das possibilidades consideradas e, como não havia tempo a perder, bastou acharmos passagens a preços interessantes para bater o martelo.
 
Uma das opções de hospedagem a preços possíveis ficava em Montmartre, um bairro, como sabíamos, de características peculiares: é um antigo reduto de artistas; único local em que Paris não é plana; abriga ícones distintos como a linda Basílica do Sacré Coeur e o iluminado cabaret Moulin Rouge e – a lembrança mais viva – havia servido de cenário para o filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”. Informações suficientes para causar uma boa impressão. E hoje podemos dizer bem mais: Montmartre é um lugar sensacional!

montmartre

 
Nosso caso de amor com o bairro teve início logo no primeiro dia da viagem. Cansados das 11 horas de voo e com o fuso na cabeça, optamos por explorar as cercanias do hotel em nosso passeio inaugural. Ao subir a rua Lepic, aquela do 2 Moulins – o café em que a Amélie trabalha e que existe mesmo – começamos a ter contato com a gastronomia francesa, algo que muito nos interessa! O comércio de alimentos por lá é farto e inclui coloridas bancas de frutas voltadas para a calçada, rotisseries, uma peixaria com exposição atraente, doceria com uma torta de pera deliciosa e até uma linda loja de chocolates. Isso, diga-se, só pra resumir o que presenciamos.


 
Nossa ideia era chegar ao topo de “La Butte”, a colina dos parisienses. Lá, 130 metros acima do restante de Paris, fica a igreja Sacré Coeur. Ver de perto aquela construção em mármore travertino – responsável pela tonalidade bem branca – é uma visão inesquecível. Dar as costas para ela também, pois aquele ponto alto propicia uma vista linda de boa parte da capital francesa.

Aos pés da colina, um funicular faz o trajeto de ida e volta até o topo. Ao optar pela facilidade desse transporte, deve-se, apenas, ter o cuidado de ignorar a abordagem de algumas pessoas que chegam com uma cordinha na mão dizendo se tratar de uma tradição. Quem acredita só consegue se livrar do inconveniente liberando algum dinheiro. Vimos muitos turistas nessa situação.

Encantados com o lugar, dispensamos a praticidade para caminhar tranquilamente pelas ladeiras do 18º arrondissement da cidade luz. Além de agradável, a caminhada aproxima o visitante da história do bairro. Na própria rua Lepic, lá no alto, fica o Moulin de la Galette, remanescente de uma época em que Montmartre contava com diversos moinhos. Um restaurante funciona no local que um dia inspirou um dos quadros mais famosos de Renoir.


 
Seguimos a passos lentos, sem consultar o mapa que arranjamos. Éramos guiados pelos contornos da Sacré Coeur. Quando a igreja parecia bem próxima, percebemos uma grande movimentação de turistas a observar telas com reproduções de Toulouse-Lautrec, Monet, Van Gogh e diversos outros pintores com passagens pelo bairro. Chegávamos à Place du Tertre, onde os artistas se sentem à vontade para vender suas obras. Circular de ouvidos atentos pela praça – repleta de restaurantes –  é um convite a escutar idiomas de todas as partes do mundo. Um lugar como aquele torna fácil entender por que Paris é o destino turístico mais procurado do planeta. Dizem que o dia mais concorrido por lá é o domingo.

Na volta da igreja o cansaço reapareceu, mas nem por isso pensamos em descer de funicular ou direto pelas escadarias. Voltamos a caminhar por dentro do bairro e logo avistamos o famoso vinhedo de Montmartre. Uma pena a festa da colheita das uvas, tradicional por lá, ter ocorrido uns dez dias antes de nossa chegada.

Ainda vimos muitas coisas incríveis no bairro, impossível descrever tudo. O fato é que perdemos a noção do tempo e, ao fim do passeio, já era noite. Boa hora pra fotografar o Moulin Rouge iluminado. Durante o dia, a fachada da casa de shows não tem o mesmo impacto, sem falar que a cada minuto para um ônibus de turismo na frente…

Nos outros dias, saíamos cedo para conhecer diversos pontos da cidade, mas sempre com o cuidado de deixar o horário do jantar reservado para o “nosso bairro”.  São muitas as opções de restaurantes em Montmartre, alguns deles abertos até um pouco mais tarde do que em outras regiões de Paris.

Com essa estratégia conhecemos, certa noite, o Au Rendez-Vous de Montmartre (15 Rue de La Vieuville), um restaurante de cardápio variado, mas cuja especialidade é o ótimo couscous marroquino. Duas porções acompanhadas de meia jarra do bom vinho da casa pra cada um –  além de uma sobremesa –, saiu por 46 euros.

Mais animado, o Chez Eugene (17 Place du Tertre) nos salvou numa noite em que queríamos só uns crepes, mas num lugar legal. Por 9 euros, a versão com frango, cogumelos, queijo e ovo tem uma apresentação estranha, mas é bem gostosa, garantimos. Com música ao vivo e carrosséis na decoração, é um bom lugar pra dar um tempo nos vinhos e pedir uma boa cerveja, já que o menu traz 6 “chopes” (pression) e umas 10 cervejas em garrafa. Foi lá também que provamos uma das melhores mousses de chocolate da viagem.

Quando chegou a última de nossas 7 noites em Paris, já tínhamos provado muita comida francesa e fomos parar em uma pizzaria com nome em inglês, a Four Seasons (4 Rue Tardieu). Mesmo sendo paulistanos acostumados com boas redondas, adoramos aquele jantar. A pizzas são individuais, servidas direto no prato. Muito boa a versão coberta com tomate, presunto, queijo e cogumelos frescos, chamada por lá de Regina. Custou 8,50 euros, com direito a uma salada de entrada! Bom preço para os padrões da cidade. O dono do restaurante, vejam só, é holandês. Quando dissemos a ele que no dia seguinte estaríamos em Amsterdã para uma passagem rápida, a conversa rendeu boas dicas e risadas. Mas engraçado mesmo foi ver a cara de surpresa dele ao saber que se come muita pizza no Brasil.


Esse post foi escrito por Débora Cheruti e Fernando Salles do blog Brincando de Chef. Agradeço aos dois pela colaboração e deixo aqui o twitter deles para que vocês possam acompanhá-los: @brincandodechef.

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